A moda circular nunca esteve tão presente no cotidiano de Campo Grande como agora.
Feiras lotadas, perfis de Instagram dedicados ao garimpo, movimentação diária de roupas e uma nova geração de empreendedores que encontrou no reuso não apenas uma fonte de renda, mas um modo de vida.
Em meio a esse cenário, um levantamento inédito dos perfis mais influentes da capital revela um Top 20 diversificado — no qual convivem grandes redes de franquias e pequenos brechós independentes que, mesmo sem estrutura, movimentam milhares de peças todos os meses.
Como o ranking foi formado
O ranking digital, baseado em métricas de seguidores, engajamento e frequência de conteúdo, mostra que o topo é ocupado por duas categorias bem distintas: as franquias nacionais altamente estruturadas e os perfis locais de forte presença orgânica.
Liderando a lista está o Cresci e Perdi, grupo que opera com múltiplas unidades e uma estrutura profissional que supera a realidade da maioria dos brechós da cidade.
A marca nacional Peça Rara, igualmente consolidada, aparece entre os primeiros colocados pela força de rede, volume de publicidade e curadoria com equipe própria.
Esses perfis têm alcance, produção e gestão que refletem seu porte empresarial — e por isso figuram naturalmente entre os mais vistos.
A base independente que sustenta o Top 20
Mas a verdadeira força do Top 20 está na base independente — brechós sem patrocínio, sem equipe grande e, em muitos casos, sem CNPJ.
São eles que movimentam a moda circular de forma viva, comunitária e acessível, representando a essência da economia do reuso em Mato Grosso do Sul.
Brechós como Eita Vendi, Brechó de Luxo CG, Mesalva.Brecho, Brechobrand, Repeat, Garage Brechó e dezenas de outros microempreendedores compõem um mosaico que dá corpo ao mercado.
São perfis que surgiram em garagens, quartos apertados, corredores de apartamento ou mesas improvisadas na sala.
A maioria começou com um “desapego pessoal” e se transformou em negócio, muitas vezes informal, alimentado por histórias reais de mulheres que vendem para complementar renda, sustentar a casa ou conquistar independência financeira.
Quem são os destaques independentes do ranking
Mesmo sem a força de rede de uma franquia, esses perfis independentes conquistaram posições de destaque no ranking por meio de conteúdo consistente, engajamento orgânico e relacionamento próximo com a comunidade.
O Eita Vendi se destaca pelo uso inteligente de Reels que viralizam entre consumidores jovens.
O Brechó de Luxo CG conquista pela curadoria sofisticada.
Brechobrand e Repeat se consolidaram como referências entre públicos específicos, com identidade bem marcada.
O Me Salva Brechó cresce pela proximidade com clientes e pela identidade visual autoral.
O Garage Brechó, que também aparece no Top 20, representa a nova geração de brechós locais que crescem com consistência, narrativa própria e forte vínculo com a comunidade que consome moda circular na cidade.
Fios de Força: quando as mulheres da moda circular entram no mapa
É justamente a partir dessa base de mulheres invisíveis para as estatísticas que nasce a campanha Fios de Força, lançada pelo Coletivo Nós Amamos Brechó.
A campanha é um movimento nacional que convida mulheres da moda sustentável e informal — de brechós pequenos, costura em casa, reaproveitamento de tecidos e vendas por redes sociais ou feiras — a se reconhecerem como protagonistas de uma nova economia.
Fios de Força começa com um mapeamento nacional, por meio de um formulário acessível, para identificar quem são essas mulheres, onde estão e o que precisam.
A partir desses dados, a campanha quer ampliar visibilidade, fortalecer redes, articular políticas públicas e, em fases futuras, oferecer formação, mentorias e apoio técnico para o setor.
Um ecossistema híbrido, informal e potente
O ranking mostra que grandes redes dominam os primeiros lugares, mas o que sustenta o ecossistema são os pequenos.
A maioria dos brechós de Campo Grande opera de maneira híbrida: loja física improvisada, vendas por WhatsApp, entregas por motoboy, consignação entre amigas e muita informalidade.
É justamente essa informalidade — que ao mesmo tempo impulsiona e invisibiliza — que ajuda a explicar por que o estado soma centenas de empreendimentos de moda circular, sem que esses números apareçam com clareza nos registros oficiais.
E é também essa base invisível que mantém o setor vivo.
Cada pequena página do Instagram, cada vídeo caseiro, cada feirinha improvisada representa um fragmento da economia circular que se expande.
Embora as franquias dominem o topo, o impacto social maior vem dos independentes — que criam renda, circulam peças que seriam descartadas, estimulam consumo consciente e formam uma rede comunitária de apoio e sustentabilidade.
Retrato da moda circular em 2026
O Top 20 revela, portanto, um mercado plural, competitivo e profundamente desigual em termos de estrutura, mas igualmente vibrante em todas as camadas.
As franquias aparecem pelo peso da máquina.
Os independentes aparecem pela força da comunidade.
Juntos, desenham o retrato mais fiel da moda circular de Campo Grande em 2026: um setor em expansão, diverso, urgente e ainda em grande parte invisível aos números oficiais — mas totalmente visível para quem vive a cidade.
TOP 20 – BRECHÓS MAIS INFLUENTES DE CAMPO GRANDE (2026)
Levantamento: Interative Lab – Comunicação Digital
- @crescieceperdi_santafe
- @brechodeluxocg
- @pecarara.cg.jardimdosestados
- @trocaskidsoficial
- @eita_vendi
- @centraldetrocasoficial
- @brechoinfantilmamaequati
- @crescieceperdi_tiradentes
- @Repeat__brecho
- @brechobrand_
- @mesalva.brecho
- @brecharia
- @brecho.cgms
- @meiofio.brecho
- @casaamarelabrechocg
- @bananazbazar
- @garagebrecho
- @dokareciclagemfashion
- @florbellabrecho
- @falcoobrecho

