Enquanto muita gente apostou em brilho, plumas e volumes dramáticos, Alice escolheu outro caminho: ela transformou o tapete vermelho do Oscar em vitrine de moda brasileira sustentável.
O look é um vestido longo texturizado em tom de bege, assinado pela marca paraense Normando. Mais do que bonito nas fotos, ele carrega história na trama: o tecido é feito a partir da mistura de fibras naturais de juta e malva, cultivadas na Amazônia por famílias produtoras, sem agrotóxicos e com irrigação natural dos rios. É praticamente um manifesto de moda na forma de vestido.
A construção do modelo tem uma pegada de alfaiataria escultural:
- Ombros marcados, inspirados no recorte de um blazer tradicional, que trazem força e presença.
- Corpo ajustado, acompanhando as curvas de maneira seca, quase “tailleur couture”.
- Saia em formato sereia, abrindo em volume só na barra, criando aquele efeito dramático de tapete vermelho, mas sem perder a elegância arquitetônica.
Nos detalhes, o look ganha ainda mais camadas de narrativa:
- Broches metálicos posicionados no peito remetem à América Latina, como se fossem pequenos mapas simbólicos do território.
- A bolsa escultural em 3D, criação do designer brasileiro Jay Boggo em parceria com o estúdio Future Factory (de Marcelo Pasqua), é feita a partir de resíduos plásticos reaproveitados combinados com pó de madeira. O acessório parece objeto de galeria de arte – e é exatamente essa a intenção.
O resultado é um visual que une:
- Brasil + Amazônia
- tradição artesanal + tecnologia de impressão 3D
- alfaiataria rígida + fluidez da saia sereia
Em meio a tantos vestidos “pensados só para a foto”, o de Alice é daqueles que também foi pensado para contar uma história: sobre território, sustentabilidade e design brasileiro em escala global.
Se o tema da noite fosse “futuro da moda de tapete vermelho”, ela já teria o troféu.


